sábado, 31 de mayo de 2014

Desde el día en que Brasil me abrió los brazos



El músico brasileño Paulinho Moska invitó a seis amigos, a seis hermanos a conocer Brasil y el resultado ha sido esta serie de televisión titulada: "Encuentros en Brasil". En el primer capítulo aparece Jorge Drexler por las calles de São Paulo y en las playas de Fortaleza. Como regalo musical, Drexler compuso una canción en aquellos días de vacaciones tropicales. El título de la canción está inspirado en la estatua del Cristo Redentor de Río de Janeiro. Os dejo la letra de la canción en español y una adaptación al portugués que hice en la escuela con la ayuda de mis alumnos.

JORGE DREXLER
"Desde el dia en que Brasil me abrió los brazos"

En el cuerpo una sonrisa  
Y en la sonrisa un retazo  
De una alegria sutil  
Desde el dia en que Brasil 
Me abrió sus brazos.

Llené los ojos de verde y añil
y el corazón cambió el paso
con un balanzo gentil
aquel día en que Brasil
me abrió sus brazos
Me abrió sus brazos y yo
le abrí a Brasil los míos
Y aquel abrazo dejó 
fuera el dolor, fuera el frío.

En el cuerpo una sonrisa...


JORGE DREXLER
"Desde o dia em que o Brasil me abriu seus braços"

No corpo um sorriso 
e no sorriso a sobra  
Duma alegria sutil  
Desde o dia em que o Brasil 
Me abriu seus braços.

Enchi os olhos de verde e azul
e o coração mudou o compasso
com um balanço gentil
aquele dia em que o Brasil
me abriu seus braços
Me abriu seus braços e eu
abri ao Brasil os meus
E aquele abraço deixou
lá fora a dor, fora o frio

No corpo um sorriso...



domingo, 25 de mayo de 2014

¿Quién nació el día 25?



Os dejo aquí un pequeño texto (está en portugués) para todos aquellos lectores que hayan nacido en el día 25. ¿Será verdad?, ¿Será que la numerología nos ha descubierto definitivamente?


DIA 25: DIA DO PROGRESSO

O nativo deste dia, além da ambição material inerente ao ser humano, vive constantemente em busca do desejo da moralidade. É um pensador, um estudioso e, em vista disso, profundo conhecedor de vários assuntos, podendo se destacar e ter sucesso nos mais variados segmentos, como ciência, ocultismo, filosofia ou sobre a Natureza na sua mais abrangente expressão. 

O 25 é perfeccionista, exigente (consigo e com os outros), diplomata, versátil, com grande capacidade intuitiva, senso analítico e perspicaz. Por vezes precisa ficar a sós, em silêncio, para poder meditar e receber inspiração do Eu interior. Como tem dons proféticos e desenvolvida intuição, por vezes é instável e sujeito a vacilações e flutuações na sua personalidade. 

Tem como seu grande defeito, subestimar as suas qualidades, sendo ao longo da vida subjugado por pessoas muito inferiores a si. Como é honesto, bondoso e leal, julga que os outros principalmente os 'amigos' também o são e, assim, vive sendo usado por essas pessoas, que tudo fazem para lhe tirar dinheiro e também para fazê-lo de empregado. Apesar dessas decepções ou frustrações e fracassos ocasionais, enfrenta tudo com muita valentia, mas pode ter problemas estomacais, como úlceras, sofrer de algum mal cardíaco ou pulmonar, na qual é recomendada a total abstinência ao cigarro. 

Deve a todo custo evitar o álcool, pois seu organismo frágil não suporta tal vício, embriagando-se com certa facilidade e, dessa forma, metendo-se em confusões que jamais entraria se estivesse sóbrio. Será mais feliz se morar próximo da água: rios, lagos e mar.

viernes, 23 de mayo de 2014

Desutilidade Poética




El otro día, creo que era miércoles, después de una jornada intensa de trabajo me fui con mi hija al teatro. Llegamos con algo de tiempo sobrando y nos tomamos un zumo de naranja los dos sentados, esperando a que comenzase la obra "Desutilidade Poetica"

Descubrí hace tiempo los poemas de Manoel de Barros gracias a otra pieza de teatro llamada "O homem de Barros" y desde aquel día me quedé prendado de aquellas metáforas delirantes que jugaban con las palabras y con los bichos de la naturaleza, como juega un niño solitario que no tiene nada que hacer en una tarde de vacaciones.

En el escenario había un montón de hojas secas y un fogón con agua hirviendo y allí se fue despertando un personaje conocido de los lectores de Manoel de Barros, Bernardo, el cuidador de las aguas, interpretado por el actor Mauricio Ricardo, que con gestos precisos va desgranando frases y poemas que extrae de un viejo baúl, donde se esconden latas de conserva vacías y otros materiales dignos del secreto arte de la poesía.

Bernardo, alter ego de Manoel de Barros nos habla del viento y de hormigas, de coches olvidados y herrumbrosos, "gusmentos" y Mauricio, el actor que lo interpreta, danza y canta, mientras va cocinando a fuego lento un arroz, con algo de carne, cebolla, ajo y tomate. Y todo esto delante de los espectadores, diciéndonos a todos "com pedaços de mim, eu monto um ser atônito".

Cuando el arroz está casi pronto, Bernardo, Mauricio, Manoel, no sé quien de los tres, comienza a silvar una música de Caetano:

Todo dia o sol levanta
E a gente canta
Ao sol de todo dia

Fim da tarde a terra cora
E a gente chora
Porque finda a tarde

Quando a noite a lua mansa
E a gente dança
Venerando a noite

Y aquel personaje que nos ha cautivado durante más de una hora, se despide de nosotros gritando en voz alta y lanzando por el aire un montón de hojas secas, que no sabemos si son restos de palabras olvidadas, que caerán en la tierra y germinarán y se convertirán en materia de poesía, junto a un caracol, un sapo o una hormiga, todos ellos seres más "desimportantes" que una central nuclear.

Antes de irnos, mi hija y yo y casi todos los espectadores que allí estábamos, fuimos a degustar aquel humilde arroz, cocinado por alguien llamado ¿Mauricio, Bernardo, Manoel?, que tal vez se siente más libre y más humano jugando a coger al viento por el rabo.


domingo, 11 de mayo de 2014

Los Matses



Os dejo aquí esta "Viñeta-Denuncia" del ilustrador Ramón publicada en el periódico El País, hoy lunes 13 de Mayo de 2014. 

LOS MATSES son los últimos chamanes del planeta que elaboran sus medicinas en pacto mágico con el reino animal de la selva, y purifican su cuerpo elevándose espiritualmente con el uso de sustancias antibióticas que obtienen en su territorio hoy amenazado. El pasado año 2012, la empresa petrolera canadiense Pacific Rubiales comenzó exploraciones petrolíferas en bosques habitados por más de dos mil matsés contactados y parcialidades aún en aislamiento voluntario. Aunque los Matsés se han opuesto con insistencia a que las empresas operen en sus tierras, sus protestas han sido ignoradas…

miércoles, 7 de mayo de 2014

Ser flaca




Aquí os dejo esta tira cómica de la dibujante argentina Maitena, que fue utilizada en una prueba de español.

As tirinhas se caracterizam pelo uso da linguagem não verbal atrelada aos recursos linguísticos no processo de construção de sentidos. Tomando como base a leitura do texto, pode-se inferir que o vocábulo “flaca” reitera

A) o desejo da mulher de ser sempre cuidada e protegida por alguém.
B) a falta de perspectiva que caracteriza o universo feminino.
C) a opinião do autor em relação ao corpo feminino.
D) a imposição social de manter-se saudável.
E) a necessidade de práticas de atividade física.
F) os valores sociais em relação ao corpo feminino.

Em relação à função social do texto, pode-se afirmar que

A) desempenha papel de crítica aos valores sociais referentes ao padrão de beleza contemporâneo.
B) busca convencer o leitor a manter seu padrão de comportamento em relação aos modelos de beleza.
C) divulga informações de um estudo científico em relação ao comportamento feminino.
D) estabelece regras de conduta em relação à realização de sonhos e expectativas.
E) estabelece uma nova percepção em relação ao feminino mediante a apresentação das expectativas.

lunes, 5 de mayo de 2014

Ciranda e destino



Comentario

"TRENZINHO CAIPIRA"

Letra: Ferreira Gullar
Música: Heitor Villa Lobos

Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade e noite a girar
Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra
Vai pela serra
Vai pelo mar
Cantando pela serra do luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar no ar no ar no ar no ar

Deixo aqui este artigo do autor da letra, o poeta maranhense Ferreira Gullar, a onde explica como a criou no exilio, em Buenos Aires em menos de vinte minutos.

Folha de São Paulo, domingo 6 de Dezembro de 2010

Trenzinho do caipira

FERREIRA GULLAR 

DURANTE OS anos que vivi em São Luís, não me lembro de ter ouvido alguma música de Villa-Lobos. Dos 18 aos 20 anos, fui locutor da Rádio Timbira que, senão me equivoco, raramente transmitia programas de música erudita. Lembro-me de programas de música popular brasileira, de música latino-americana (especialmente boleros) e de música norte-americana, que nos chegava sobretudo através dos musicais da Broadway.

Foi Thereza, minha falecida companheira, quem me revelou a música de Villa-Lobos, depois que nos casamos e passei a ouvir os discos que vieram com ela para nossa casa. Ela era apaixonada pela música dele, que cantava no coro da escola pública onde estudara. Carioca da Tijuca, pertenceu à geração que aprendera a cantar "O Canto do Pagé", em grandes comemorações oficiais no Campo do Vasco da Gama.
""Ó manhã de sol, Anhangá fugiu."

Sei é que, certa tarde, sozinho no apartamento (na antiga rua Montenegro, hoje Vinícius de Moraes, em Ipanema), pus na vitrola um disco com as "Bachianas" e ouvi, pela primeira vez, a do trenzinho do caipira.

Entrei em transe. É que, quando menino, meu pai, que fazia comércio ambulante, me levava nas viagens de trem entre São Luís e Teresina. O trem saía de madrugada e, ao amanhecer, cortava o Campo dos Perizes, um vasto pantanal, povoado de garças, marrecos, nhambus, pássaros de todo tamanho e cor. Eu ficava deslumbrado, a cada viagem. Deslumbramento esse que voltou quando ouvi a "Tocata" da "Bachiana nº 2". Tive o ímpeto, naquele instante, de pôr letra na música, mas não consegui. E não tentei uma vez só, não, mas várias, ao longo dos anos, sem resultado.

Pois bem, em 1975, ao escrever o "Poema Sujo", em Buenos Aires, evoco aquelas viagens que fazia com meu pai e, então, enquanto, antes, era a música de Villa-Lobos que me fazia lembrar das viagens, agora elas é que me fizeram lembrar da "Bachiana nº 2" e, assim, a letra que não conseguira escrever em 20 anos, escrevi em 20 minutos:

"Lá vai o trem com o menino
lá vai a vida a rodar
lá vai ciranda e destino
cidade e noite a girar..."

Não escrevi essa letra pensando que ela um dia seria gravada; escrevia-a porque aquela reversão da lembrança foi um fator a mais de emoção, um choque mágico, que se incorporava ao poema. Por isso, pus ali uma indicação meio irônica: "Para ser cantada com a "Bachiana nº 2", "Tocata'". Mas surgiu alguém que levou a sério a indicação.

O poema foi publicado em 1976, pela editora Civilização Brasileira, de Ênio Silveira, e lançado numa noite de autógrafo sem o autor. Um ano depois, volto para o Brasil e sou procurado por Edu Lobo, que queria gravar o "Trenzinho do Caipira", com minha letra. Encontramo-nos na Leiteria Mineira, que era ali na rua São José, no centro do Rio, perto da sucursal do "Estadão", onde eu trabalhava. Ele fez o arranjo e gravou o "Trenzinho", que passou a tocar muito no rádio e, verdade seja dita, contribuiu para popularizar a "Bachiana nº 2", talvez a que mais se ouve atualmente. É que a letra facilita a comunicação com as pessoas pouco habituadas a ouvir música instrumental. O mérito não é meu, claro, mas dessa obra-prima que ele compôs, acrescida, então, da interpretação de Edu.

Mas, na hora de obter a autorização para gravar a música com minha letra, Edu se deparou com um problema: a viúva do maestro alegou que adotara como norma não dividir o direito autoral com quem pusesse letra em música de Villa-Lobos. O que me pareceu razoável, já que muita gente poderia valer-se da fama do compositor para pôr qualquer letra em suas músicas e ganhar dinheiro com isso. Não foi o meu caso, como narrei aqui. De qualquer modo, isso não impediu que Edu gravasse a música. Aliás, para que eu não ficasse sem nada ganhar, ele generosamente me fez parceiro de uma das músicas, que era de sua exclusiva autoria. Aquela restrição valeu para o disco apenas, porque toda vez que o "Trenzinho" toca no rádio ou é cantado num show, recebo direito autoral. E, por ironia do destino, já aconteceu me pagarem quando tocaram a "Bachiana", sem a letra. Como se vê, a confusão é geral.

Por falar em confusão, aproveito a oportunidade para desfazer um equívoco, que se tornou frequente, com respeito a essa letra. Em vez de "correndo pelas serras do luar", como escrevi, põem "correndo pelas serras ao luar". É o lugar-comum desbancando a poesia. Num site do Villa-Lobos, insistem no erro. Isso lembra um poema meu em que escrevi: "cantando, o galo é sem morte". Um tradutor pôs: "cantando el gallo és imortal". Pensei: é que deve ter entrado para a Academia. 


domingo, 4 de mayo de 2014

Otro año más (2010)



Termino este primer domingo de mayo viendo en la pantalla de la tele una película inglesa de Michael Leig: "Another year" (2010). Una comedia agridulce donde el tiempo real de las estaciones del año atraviesa la vida de unos personajes, que parecen personas como nosotros, necesitadas de alguien para conversar, tomar un té caliente y hablar de problemas laborales, amorosos o simplemente del frío que hace todos los jodidos inviernos.

El cine inglés siempre me sorprende por su humor inteligente, sin ninguna pretensión filosófica, simplemente retrata la vida de las personas como ellas son, algunas más alegres y con más suerte que otras, esa es la verdad, para que vamos a negarlo. Me he reído y he sentido un poco de compasión por, tal vez, la protagonista de esta historia, la tía Mary, una mujer de mediana edad, que no soporta la soledad y necesita de sus amigos para sobrevivir a los siete días de la semana. Por cierto, el cartel de la película me parece que resume con su sutil simplicidad la rueda viva del tiempo y sus cuatro estaciones.

Os dejo aquí la crítica del señor Carlos Boyero, que sabe mejor explicar estas cosas:

"El director inglés Mike Leigh, al igual que Woody Allen, sabe extraer veracidad de lo que ocurre en el corazón de la gente, pero frecuentemente siente debilidad por la sordidez, por el retrato de lo exclusivamente sombrío. Es tan realista y se siente tan cómodo describiendo la infelicidad, que te distancia en vez de interesarte. Pero cuando encuentra el equilibrio entre alegrías y tristezas, cuando pilla el claroscuro sus historias resultan tan veraces como conmovedoras. Ocurría en la magistral Secretos y mentiras. Ha vuelto a encontrar ese aliento en la magnífica "Another year".

Leigh presenta a lo largo de las cuatro estaciones del año a un matrimonio duraderamente feliz que ofrece sus oídos, su calidez y su casa como consuelo provisional para amigos que están inmersos en el desastre afectivo, más solos que la una, portadores de una desesperación irremediable. A lo largo de estos encuentros también hay desencuentros, solidaridad y angustia, vida y muerte. Mike Leigh ha creado con recursos sobrios una película intensa y compleja, que habla con sensibilidad penetrante de la difícil convivencia entre los que han encontrado su lugar en la tierra y los que siempre están perdidos. Lo que ves y escuchas hace daño, logra que entiendas las razones y las circunstancias de toda esta gente para ser como son. Te emociona".

OTROS COMENTARIOS:

"Leigh crea un universo en el que todos podemos encontrar nuestro lugar. Todos los actores están sublimes, pero Manville es la que más brilla (...) 

Peter Travers: Rolling Stone crítica positiva

"No todos los años traen una nueva película de Mike Leigh, pero los años que sí lo hacen están bendecidos por su simpatía, su visión penetrante y su instinto para la comedia humana (...) 
Roger Ebert: Chicago Sun-Times crítica positiva

"El perfecto refugio de las ironías baratas y la cruel indiferencia a las que tenemos que enfrentarnos en la vida, y demasiado a menudo, en las películas (...) 

Elizabeth Weitzman: New York Daily News crítica positiva

"Lo último de Mike Leigh...no trata casi de nada en absoluto y aun así yuxtapone amablemente los grandes asuntos de la vida cotidiana: soledad y amor, egoísmo y bondad, muerte y nacimiento" 
Leslie Felperin: Variety crítica positiva

"De ritmo templado, aunque apasionante y completamente accesible. El título apenas 'vende' la película, pero es una de las mejores de este -o cualquier- año. Y Manville ya puede dejar espacio en su estantería para unos merecidísimos premios. (...) 

Kim Newman: Empire crítica positiva

"Momentos tragicómicos sencillamente delirantes, geniales. Si se asume el libro de estilo del realizador británico no queda otra que reconocer que estamos delante de una obra perfecta." 
Luis Martínez: Diario El Mundo crítica positiva

"Todo es conmovedor y espumoso en la película, pero las interpretaciones son más aún, están entre lo emotivo, lo turbador y lo patético. (...) momentos de una verosimilitud y de una carga afectiva y perturbadora insólita." 
E. Rodríguez Marchante: Diario ABC 

"Mike Leigh consigue su obra más precisa, la más limpia y depurada, casi una aproximación a la obra de Chéjov (...) 
Toni Vall: Cinemanía 

jueves, 1 de mayo de 2014

La vida comienza todos los días




"La vida comienza todos los días" decía el escritor gaucho, Erico Veríssimo y algunos días son muy especiales, porque personas que amamos de verdad cumplen años, apagan las velas "a la primera" y piden un deseo, que será un secreto íntimo y personal, guardado en el fondo de su corazón.

Dedicado a mi ahijado Aitor, que hoy es su cumpleaños.

Mitologías del miedo




He elegido un cuadro abstracto de Fernando Zobel para acompañar este texto de Umbral porque creo que su prosa poética más íntima tiene algo de juego abstracto de sensaciones. No la puedes ver, pero consigues sentirla como la intuición de algo que no sabes todavía que es.


Calle de tantos astros, rinconada del tiempo
la dimensión del mundo me la daba un vencejo.
Oro de las mañanas empobreciendo el cielo
soles de cada tarde en un ladrillo eterno.
De los paises del alba venían los buhoneros
y en sus pregones altos flotaba un hombre muerto.

Calle de tanta noche, mitología del miedo,
madres de los difuntos en las tapias de enero.
Sonaban las iglesias enormes de silencio
y pasaba la llegua inmensa de los tiempos.
El hombre más remoto era sólo un lechero
y el Dios de los espacios era sólo mi abuelo.

FRANCISCO UMBRAL


(El cuadro es de Fernando Zobel)

Todavía es miércoles en Macondo



"Hay un minuto en que se agota la siesta. Hasta la secreta, recóndita, minúscula actividad de los insectos cesa en ese instante preciso; el curso de la naturaleza se detiene; la creación tambalea al borde del caos y las mujeres se incorporan, babeando, con la flor de la almohada bordada en la mejilla, sofocadas por la temperatura y el rencor; y piensan: «Todavía es miércoles en Macondo.» Y entonces vuelven a acurrucarse en el rincón, empalman el sueño con la realidad, y se ponen de acuerdo para tejer el cuchicheo como si fuera una inmensa sábana de hilo elaborada en común por todas las mujeres del pueblo".